
Phil Mickelson e Keegan Bradley começaram o dia empatados em primeiro prometendo um duelo entre mentor e pupilo pelo tÃtulo do Northern Trust Open, no último domingo, no Riviera CC, no litoral de Los Angeles, na Califórnia. Eles tiveram um dia difÃcil, ainda terminaram em primeiro, mas foram superados por Bill Haas, que levou o tÃtulo no segundo buraco do playoff contra ambos, ao optar por uma tacada segura para o green e embocar um putt de 14 metros para birdie que nocauteou os adversários.
William Harlan Haas, de 29 anos, filho do campeão Jay Haas, vai, assim, se especializando em vencer com tacadas “impossÃveis”. Há cinco meses ele fez o que foi considerada a Jogada do Ano no PGA Tour, em 2011, ao bater uma bola parcialmente submersa no lago do 17 do East Lake Golf Club, em Atlanta, na Geórgia para salvar o par e caminhar para o tÃtulo do The Tour Championship e da Fedex Cup, que levou no terceiro buraco extra contra Hunter Mahan. Desta vez, ele começou a volta final perdendo por duas para virar o jogo no final e chegar à sede como lÃder isolado.
Improvável - Enquanto Mickelson e Bradley se preparavam para jogar o 18, perdendo por uma, Haas foi para o driving range, mais porque era a coisa politicamente correta a fazer do que por acreditar que um dos dois adversários que ainda podiam lhe tomar o tÃtulo tivessem chances de birdie. Afinal, dos 70 jogadores que já haviam completado a rodada, apenas quatro haviam feito birdie no 18, um par 4 digno da conclusão de um torneio.
As surpresas começaram com Mickelson. Depois de jogar 67 buracos esta semana sem dar três putts em nenhum green, ele fez isso em dois buracos consecutivos, o 14 e o 15, no seu pior dia sobre os greens (e em volta deles). Perdeu três putts seguidos com menos de três metros, dois para par e um para birdie. Mas deixou para embocar no 18 o putt mais longo do dia, de nove metros, para forçar o playoff. Assim que a torcida parou de comemorar, foi a vez de Bradley embocar de quatro metros para também ir ao desempate. Mickelson e Bradley, depois de terem jogado o par do campo no domingo, o pioro resultado de ambos na semana, e Haas 69, o melhor entre os dez primeiros colocados no inÃcio do dia.
Desempate - De volta ao 18, os três fizeram o par sem muitas emoções. O jogo foi decidido no 10, um par quatro curto, com 315 jardas, onde todos tentam chegar ao green com o driver, ou uma madeira 3, no caso de Bradley, que bate mais longe. Mickelson que teve a “honra” de jogar primeiro pelo sorteio deixou a bola curta pela direita, no intrincada grama kikuia do rough, com uma banca pela frente e bandeira curta num green estreito. Bradley parou um pouco mais à frente, dentro da banca da direita, e Haas passou o green de vôo para ficar no rough, também com uma banca na frente.
Haas jogou primeiro e, ao contrário do que todos esperavam num playoff contra um especialista em jogo curto e a mais jovem revelação do PGA Tour, optou por jogar de lado, para o meio do green, na esperança de salvar o par e se manter vivo no jogo. Mickelson, que em todo o dia não fez valer sua fama de mago em volta dos greens, jogou para a bandeira, mas foi parar na banca do lado oposto, ainda com chances de salvar o par. Bradley, por fim, saiu bem, cruzou o green e foi parar no fundo dele, a quatro metros da bandeira.
Vitória - Mas o dia era de Haas, que jogou primeiro e embocou um putt de 14 metros, com leve curva para a esquerda, que provavelmente nem ele esperava desaparecer no buraco. Agora só valia dentro, mas Phil deixou a bola curta, enquanto a de Keegan passou raspando o buraco. Haas já podia comemorar o quarto tÃtulo da carreira, o prêmio de US$ 1,2 milhão e uma subida de dez posições, para a 12ª colocação do ranking mundial de golfe.
“Eu jamais esperava embocar um putt de 14 metros naquela situação”, confessa Haas, apesar de ter terminado a semana em primeiro nos putts, empatado com Bradley e Cameron Tringale. “É claro que tive sorte, mas acho que era isso que tinha que acontecer”, diz Haas, que agora é o segundo jogador em atividade com menos de 30 anos com mais vitórias no tour. Haas conquistou seu quinto tÃtulo depois de jogar 181 torneios do PGA Tour. Seu pai, Jay, levou 180 torneios para vencer quatro.
Garcia - Haas (72-68-68-69) e os vice-campeões Mickelson (66-70-70-71) e Bradley (71-69-66-71)terminaram a semana com 277 tacadas, sete abaixo do par. Quatro jogadores empataram em quarto, com cinco abaixo: o espanhol Sergio Garcia, Jimmy Walker o australiano Jarrod Lyle e Dustin Johnson.
Mas ninguém deixou o campo mais satisfeito do que Garcia, que começou o dia com duas acima do par, nove tacadas atrás dos lÃderes e saindo pelo buraco 10, um castigo para quem sequer estava no metade superior do placar após 54 buracos. Mas o espanhol começou a surpreender ao bater uma madeira 3 para o green e fazer um eagle de três metros no buraco 11 e depois embocar de 207 jardas, com ferro 4, para novo eagle no 15, um par 4.
Recorde - Animado, Garcia fez birdies no 16 e no 18, para fechar seus primeiros nove buracos com 30 tacadas, seis abaixo, e continuou a festa com um birdie no 1, outro par 5. Mas foi só quando ele embocou mais um birdie no 3, com um putt de 15 metros, que a TV começou a lhe dar tratamento VIP na transmissão. Não era para menos: ele vinha oito baixo em 11 buracos e apenas a três tacadas dos lÃderes, que começavam a devolver tacadas para o campo. Ele ficou a duas tacadas do playoff, mas teve até chances de vencer depois de jogar 64 (-7), com dois bogeys, a melhor volta da semana.
Quem acompanhou a transmissão em inglês certamente gostou da boa narração de Jim Nantz e dos comentários de Nick Faldo, uma dupla de peso. Mas ouvir Nantz chamar o campeão de seis majors de “Sir” Nick todas as vezes em que falou seu nome soou pesado e desnecessário. A primeira vez pode ser por respeito, a segunda por brincadeira, mas da terceira em diante passa a ser afetação ou puxa-saquismo, por mais que o inflado ego de Faldo, consagrado “Cavalheiro do Império Britânico” pela Rainha Elizabeth, aprove. Já vivemos caso semelhante.
Fonte: Portal Brasileiro do Golfe (golfe.esp.br)


